15 de out de 2010

Dia do professor por quê?

               

                "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"
Cora Coralina
              Em minha vida e na de todos vocês algum dia, passou ao menos um professor. Ou possivelmente,  muitos. Posso dizer que estou mergulhada nesse mundo desde que nasci. Até antes, na barriga de uma delas.
              Mas cheguei à conclusão de que meu dna já veio com o vírus do inconformismo. Ao invés de achar tudo lindo, vejo que não há muito o que comemorar. Congratulações são benvindas, pois essa é realmente uma profissão importante e complexa. Mas dai a avaliar que o quadro é cor de rosa, há uma boa distância.   
              Tudo começou quando, em 1847, D. Pedro I criou  um decreto que instituiu o Ensino Elementar no Brasil. De acordo com a norma, todas as cidades e vilas brasileiras deveriam ter suas escolas de “primeiras letras”. Essa data foi oficializada como feriado escolar em plena ditadura, em 14 de outubro de 1963 (Decreto Federal 52.682/63). Que bom, mais um feriado... e...
               Baixos salários, falta de reconhecimento, falta de incentivo à aperfeiçoamento, falta de tempo para pesquisas, rebaixamento da autoridade do professor pelas famílias e pela sociedade, poucas e parcas condições de trabalho, e se eu for enumerar tudo, um blog é pouco. Mas a profissão de professor ainda serve de mote de campanha política, a educação ainda é tema em vigor para gregos, troianos, bárbaros, nazistas, fascistas e palhaços (com meu respeito à essa denegrida profissão).
               Ainda assim, devo dizer que é uma boa sensação quando alguém chega, do inesperado, no meio de um supermercado qualquer, ou numa rede social te encontra e te reconhece e te diz, puxa, aprendi muito com você, foi marcante prá mim. Ou quando alfabetizei aqueles operários que tinham tantos calos nas mãos e nem conseguiam segurar o pequeno lápis, e diziam:  -Se eu tivesse tido essa atenção quando criança, não teria deixado de estudar.
              Acho que é por isso que eu nunca acho que está tudo certo. Sem reflexão não podemos avançar, e ainda há muito a ser feito.

Um comentário:

Miriam Dutra disse...

Grande Tânia!!!
De fato, ser professor, de verdade, é meio como ser médico - é para poucos!!!