Quando eu era jovem, achava aquilo tudo um exagero. Hoje acho falta. Os santos cobertos, ares de respeito e reflexão, rádios e TVs desligados. Íamos à igreja na quinta para o lavapés, na sexta para a celebração da Paixão e para a procissão, no sábado para a missa de aleluia. Vivíamos a Páscoa. Mas todos o fazíam. Sempre achei um pouco incoerente a delícia do bacalhau da minha mãe ser em um dia de tristeza e uma ponta de culpa (bem cristã) por tanto prazer em comê-lo.
Sinto que esse sentido está se perdendo. Nesse dia de se guardar o silêncio, prá se lembrar que Ele sofreu por nós, vemos carros ouvindo axé, comemorando o feriado, engarrafamentos de trânsito nas estradas... Até a encenação da Paixão no autódromo virou show de música!
Tento não ser conservadora em minhas posições, sei que as pessoas mudam, mas uma parada prá refletir é necessária e só faz bem à alma.
Mil coisas...
E uma Páscoa de novas esperanças a todos.
2 de abr. de 2010
27 de mar. de 2010
Circo no fórum
Realmente assustador. Foi essa minha sensação ontem ao ver imagens da frente do fórum de Santana. Desde segunda feira se formou o circo, mas a coisa piorou conforme passaram-se os dias. Cartazes, placas, fantasias, manifestações verbais, discussões, ânimos alterados, opiniões sem sentido na frente das câmeras (alô mamãe! olha eu aqui...), culminando com fogos de artifício, gritos e agressão ao veículo que conduzia os réus.
Assustador.
E me faz refletir o quanto o ser humano continua o mesmo em sua essência ao longo da história.
A turba alterada em nada se diferenciava das imagens descritas de julgamentos medievais de mulheres ditas feiticeiras, hereges, bruxos e outros afins. Ou da descrição do julgamento de Cristo, quando Pilatos os questiona a quem crucificar.
Longe de comparar os protagonistas desta ou daquelas cenas. Mas a reação do povo agrupado e alterado, sem racionalidade nenhuma, apenas movido pela emoção, é a mesma. E perigosa. Porque é inconsequente. E o povo reunido assim não tem noção da força que tem.
Será por isso que quando o mesmo povo se reune prá reinvindicar salários e condições de trabalho, os governantes lhe oferecem jatos d´água, bombas de gás, cães e cavalarias? Será, será...?
E por que será que deixam o mesmo povo se manifestar assim na frente de uma casa onde se busca o máximo de lógica, coerência, ciência, para que não se cometam injustiças? Não tenho a resposta.
Mas esse foi um espetáculo de circo.
Está aberta a sessão respeitável público.
Assustador.
E me faz refletir o quanto o ser humano continua o mesmo em sua essência ao longo da história.
A turba alterada em nada se diferenciava das imagens descritas de julgamentos medievais de mulheres ditas feiticeiras, hereges, bruxos e outros afins. Ou da descrição do julgamento de Cristo, quando Pilatos os questiona a quem crucificar.
Longe de comparar os protagonistas desta ou daquelas cenas. Mas a reação do povo agrupado e alterado, sem racionalidade nenhuma, apenas movido pela emoção, é a mesma. E perigosa. Porque é inconsequente. E o povo reunido assim não tem noção da força que tem.
Será por isso que quando o mesmo povo se reune prá reinvindicar salários e condições de trabalho, os governantes lhe oferecem jatos d´água, bombas de gás, cães e cavalarias? Será, será...?
E por que será que deixam o mesmo povo se manifestar assim na frente de uma casa onde se busca o máximo de lógica, coerência, ciência, para que não se cometam injustiças? Não tenho a resposta.
Mas esse foi um espetáculo de circo.
Está aberta a sessão respeitável público.
26 de mar. de 2010
Pro meu amigo Pedrão
Não fique triste Pedro querido,
Eu até gosto bastante de futebol. Se você assistir uma partida comigo ao lado, pode ter certeza que vou identificar quando for penalti ou se estiver impedido. Não vou perguntar se aquele lá de preto está perdido no campo, ou se o time não tinha uniformes suficientes prá ele usar naquele dia...
Se eu fizesse isso perto dos homens da minha família, bom, meu avô foi juiz de futebol... era capaz de eu ganhar cartão vermelho e uns croques na cabeça!
Até quase fui ver, uma vez, a seleção jogar com o Pelé e tudo, com você e o Zé no Pacaembú, lembra? E acabei não indo por causa de uma crise de cistite, e por isso me salvei de um baita temporal...
Já vi radinhos voarem, junto com sapatos e várias coisas não identificadas, aprendi vários predicados ao juiz, tudo isso no campo com meu pai e avô. Ele não gostava de me levar, as coisas já não estavam tão "família" na época. E pioraram muito. Além do mais eu cismei de virar palmeirense (por causa de uns e outros jogadores bonitinhos e influência da famíla materna) e ele é corinthiano histórico... Pacífico, mas convicto.
De verdade, acho que o esporte bretão é bem legal, se for jogado sem compromisso com cartolas e patrocinadores, sem preocupação com o que dizer depois, na coletiva de imprensa... Assim, enfim, o que me resta são só as peladas no Estrela do Pari ou no Vigor, vistas por cima, ali da ponte da Vila, que você conhece, tenho certeza. Talvez seja o que existe de mais autêntico. Mesmo assim, não me iludo...
Há muito dinheiro, muitos interesses e egos em jogo, a busca de fama, a ambição de todos os que estão envolvidos com a máquina do espetáculo, lavagem de dinheiro, corrupção, e isso emperra qualquer resultado legítimo.
É muita energia da massa cantando e torcendo, emociona sim.
Eu até gosto bastante de futebol. Se você assistir uma partida comigo ao lado, pode ter certeza que vou identificar quando for penalti ou se estiver impedido. Não vou perguntar se aquele lá de preto está perdido no campo, ou se o time não tinha uniformes suficientes prá ele usar naquele dia...
Se eu fizesse isso perto dos homens da minha família, bom, meu avô foi juiz de futebol... era capaz de eu ganhar cartão vermelho e uns croques na cabeça!
Até quase fui ver, uma vez, a seleção jogar com o Pelé e tudo, com você e o Zé no Pacaembú, lembra? E acabei não indo por causa de uma crise de cistite, e por isso me salvei de um baita temporal...
Já vi radinhos voarem, junto com sapatos e várias coisas não identificadas, aprendi vários predicados ao juiz, tudo isso no campo com meu pai e avô. Ele não gostava de me levar, as coisas já não estavam tão "família" na época. E pioraram muito. Além do mais eu cismei de virar palmeirense (por causa de uns e outros jogadores bonitinhos e influência da famíla materna) e ele é corinthiano histórico... Pacífico, mas convicto.
De verdade, acho que o esporte bretão é bem legal, se for jogado sem compromisso com cartolas e patrocinadores, sem preocupação com o que dizer depois, na coletiva de imprensa... Assim, enfim, o que me resta são só as peladas no Estrela do Pari ou no Vigor, vistas por cima, ali da ponte da Vila, que você conhece, tenho certeza. Talvez seja o que existe de mais autêntico. Mesmo assim, não me iludo...
Há muito dinheiro, muitos interesses e egos em jogo, a busca de fama, a ambição de todos os que estão envolvidos com a máquina do espetáculo, lavagem de dinheiro, corrupção, e isso emperra qualquer resultado legítimo.
É muita energia da massa cantando e torcendo, emociona sim.
Mas eu queria, mesmo sabendo meu desejo ingênuo, que essa mobilização acontecesse toda vez que o país precisa, por causas realmente importantes, políticas, humanitárias, ecológicas, educativas, fossem quais fossem. E no entanto, o povão gasta muito dinheiro, tempo e saliva, prá alguns muito poucos minutos de ilusão.
E em tempo: Eu acredito em milagres... quem sabe um dia o Palmeiras resolve acordar... Enquanto isso, viva a Lusa!
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